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Jornalismo em Saúde

Asma: inverno traz risco de crises de uma condição que pode levar à morte

Asma: inverno traz risco de crises de uma condição que pode levar à morte (Enio Rodrigo )Terceira causa de internações clínicas no País, a asma pode levar ao óbito por asfixia em casos extremos. De acordo com a ONG Gina Brasil, o número de mortes causadas pela condição– que poderiam ser prevenidas – pode chegar a 3 mil, causada principalmente por falta de tratamento adequado.

“A asma é um sério problema de saúde pública que afeta crianças, adultos e idosos. Resulta em morte nos casos mais graves, mas provoca sufocação recorrente em dezenas de milhões de brasileiros. Limita bastante o indivíduo e custa muito caro se não tratada adequadamente”, explica Álvaro Cruz, pneumonologista e alergologista ligado à Gina Brasil (Global Initiative for Asthma), que faz parte da Aliança Global contra Doenças Respiratórias Crônicas (GARD).

Cruz explica que a asma é um tipo de bronquite (inflamação dos brônquios do pulmão), que causa dificuldades para respirar, chiado e sensação de aperto no peito e falta de ar. Mas ao contrário da bronquite causada por gripes, resfriados ou pelo tabagismo, a asma é uma condição crônica e não tem cura, apenas controle.

Os casos de óbito são causados principalmente pela falta de informações sobre a condição e a ideia geral de que após uma crise tudo volta à normalidade. “A negligência é tanto da parte dos profissionais de saúde, que não estão preparados para reconhecer a seriedade da condição e indicar o tratamento, quanto por parte dos indivíduos que não entendem que sem um tratamento adequado – que é para o resto da vida – e controle do ambiente e de fatores psicossociais, como o estresse, não é possível reverter as crises, especialmente se elas se tornam constantes”, alerta Cruz.

A falsa sensação de segurança, explica o especialista, se dá principalmente pelo fato de que após uma crise intensa, a asma pode ter remissão até mesmo por anos. Mas basta interromper o tratamento medicamentoso ou relaxar nos cuidados – como evitar poeira, exposição à poluição e outros alérgenos – que as crises podem voltar a acontecer.

“Os casos mais preocupantes são os que atingem crianças e idosos, um público mais sensível no geral aos problemas de saúde. Por isso, pais e cuidadores precisam ter maiores cuidados com os indivíduos asmáticos desses grupos com maior risco para as crises agudas, que podem levar à morte por asfixia”, diz o especialista.

Asma alérgica e não alérgica: cuidados iguais

A asma atinge indivíduos predispostos à condição, ou seja, aqueles que herdaram os traços genéticos associados à doença. E pode ser alérgica ou não alérgica. Entretanto, lembra Cruz, os gatilhos que dão início às crises são similares. De acordo com o médico, a asma não alérgica pode ser iniciada por outra alergia não associada à asma.

“A asma alérgica tem o gatilho que já se pode imaginar: fatores alergênicos, como já citamos. Mas esses mesmos fatores – ou então condições, como gripes e resfriados – podem gerar uma inflamação, uma baixa na imunidade, e a crise de asma não alérgica  pode ocorrer”, afirma Cruz. O cuidado para ambas, portanto, difere pouco.

Inverno pode aumentar incidência das crises

Durante o inverno, as crises de asma podem aumentar a incidência. Isso porque, explica o alergologista, o ar mais seco aumenta o risco de transmissão do vírus da gripe e do resfriado – o que fragiliza o sistema respiratório – além de facilitar que partículas de poeira ou da fuligem dos carros fiquem suspensas no ar, causando as crises. A concentração de pessoas em ambientes fechados também aumenta. Além disso, a falta de luz solar contribui para o aumento da população de ácaros e também o crescimento do mofo, em algumas regiões do País.

“Nessa época também é comum que usemos roupas que ficaram guardadas o ano todo, acumulando poeira e ácaros. Ao usarmos essas roupas, sem antes lavá-las, aumenta-se a probabilidade de crises de asma também”, lembra Cruz.

Prevenção e controle

A asma, como já dissemos, não tem cura. A melhor estratégia para diminuir as crises e garantir a boa saúde é prevenir – o que inclui tratamentos farmacológicos – e controle no caso de crises.

“Para combater a asma de forma eficaz, não se pode deixar nenhuma brecha. Há acompanhamento constante, utilização de remédios sempre e atenção aos fatores ambientais e psicossociais. Em qualquer época do ano isso é importante, mas no inverno, os cuidados devem ser redobrados. Também é bom lembrar que, apesar dos grupos com maior risco, ela atinge pessoas de qualquer idade e sexo e em todos os casos o risco de óbito está presente, pois sem um profissional por perto a evolução do quadro pode levar à asfixia, que pode ser difícil de reverter”, enfatiza Cruz.

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por Enio Rodrigo

 

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