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Jornalismo em Saúde

Anosmia e hiposmia: quando a pessoa tem dificuldade de sentir os odores

O olfato é um dos nossos cinco sentidos. Mas se engana quem acha que ele é um dos menos importantes. Perder a sensação de cheiros e odores é perder parte dos prazeres da vida e ter maior risco de sofrer acidentes domésticos.

“Na natureza é olfato que vai nos alertar sobre diversos perigos. Uma comida estragada ou o cheiro de fumaça, por exemplo, nos alerta sobre algo que pode comprometer nossa saúde ou a vida. Além disso para nós, humanos, o cheiro também têm uma função ligada ao prazer. Sentir os perfumes, é um deles, e mesmo a sensação completa do paladar se dá nas mucosas olfativas mais do que na língua em si”, explica Arthur Guilherme L.B.S. Augusto, otorrinolaringologista da Santa Casa de São Paulo.

A perda de olfato parcial é chamada de hiposmia e quando essa perda é completa o quadro é conhecido como anosmia, a impossilidade de sentir qualquer tipo de odor.

“A hiposmia pode ter diversas causas que podem ser agrupadas em três grupos: as causadas por um problema condutivo – o odor não chega às mucosas olfativas –, sensorial – esse cheiro não é identificado –, ou traumática, quando um acidente compromete a área do cérebro que tem processa as informações sobre determinados odores”, indica Augusto.

No caso de um problema condutivo, as alterações anatômicas, como o desvio de septo e os pólipos nasais, são as mais comuns. Com dificuldades de respirar e levar o ar até as mucosas, as moléculas de odor chegam de forma precária e podem não ser identificados. Outro tipo de alteração anatômica é quando um vírus – da gripe ou resfriado – causa algum tipo de obstrução na cavidade nasal. Esses vírus, em último caso, podem comprometer a própria mucosa, deixando-a menos sensível. O problema aí é sensorial.

“O caminho natural da identificação de um odor passa pela captação na mucosa olfativa. Essa informação vai pelos nervos até o bulbo olfatório no cérebro e é identificado pelo córtex olfatório. Qualquer problema nesse caminho compromete o conjunto sensorial”, afirma Augusto.

Acidentes também podem causar a interrupção desse caminho que os odores fazem para chegar no cérebro. “Além disso pode haver tumores, doenças degenerativas – como o Alzheimer e o Parkinson – ou mesmo um Acidente Vascular Cerebral, o AVC, que pode gerar uma lesão no cérebro”, explica o especialista.

Em casos raros há pessoas que nascem sem a habilidade de processar as informações sobre os odores. São causas genéticas ou congênitas e nesses indivíduos a hiposmia pode ser completa, levando à anosmia.

Perda de qualidade de vida

A perda do olfato, parcial ou total, diminuir a qualidade de vida dos indivíduos, afirma Augusto. Isso porque o prazer de se alimentar diminui em muito, e os eventos sociais se tornam menos interessantes. E os indivíduos também começam a ter dúvidas se o próprio odor corporal é agradável aos outros. Isso, aos poucos, vai levando ao evitamento ou isolamento social. Não por acaso a hiposmia e a anosmia são associadas a um maior risco de desenvolvimento de depressão e outros transtornos do humor.

“Essas pessoas, que não conseguem identificar os odores, acabam usando perfume em excesso ou tendo dificuldades de higiene pessoal. O mesmo vale para seus ambientes, o que também contribui para a diminuição dos contatos sociais. Ninguém quer receber visitas sem saber se o ambiente é agradável para os outros”, diz.

Uma forma de contornar o problema é contar com a ajuda dos amigos, parentes ou cônjuges, que vão servir de baliza para a os cheiros e odores. No caso de pessoas que passam muito tempo sozinhas, detectores de fumaça ou de gás também são boas sugestões para garantir a segurança e evitar acidentes ou morte.

por Enio Rodrigo

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