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Jornalismo Científico

Equação do caos

Os desafios do transporte de passageiros no Brasil para os grandes eventos

Equação do caos: os desafios dos transportes de passageiros no Brasil  para os grandes eventosFilas de espera nos aeroportos, congestionamentos nas cidades, estradas esburacadas, hidrovias que jamais foram postas em andamento e uma malha ferroviária menor que a da Inglaterra no final do século XIX. Isso é um pouco do que se vê no Brasil quando o assunto é transportes. E os investimentos para grandes eventos como a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 provavelmente mudarão pouco (ou por pouco tempo) esse cenário, segundo especialistas. Mas não ache que isso é apenas culpa do governo, da falta de planejamento ou das outras pessoas ao seu redor: quem opta por andar de carro – muitas vezes sozinho ao volante – tem um grande peso nessa equação caótica.

Se o transporte no Brasil, seja de passageiros ou de carga, passa por uma crise de infraestrutura, o principal responsável por isso foi o modelo de mobilidade calcado no transporte rodoviário adotado durante as últimas seis décadas e que esteve, desde sempre, fadado a enfrentar uma crise. “O custo do transporte no Brasil é muito mais caro do que em diversos outros países, simplesmente por conta da falta de opções”, critica Gilza Fernandes Blasi, pesquisadora do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A única saída possível para as viagens mais longas é o transporte aeroviário, cujos aeroportos (em torno de 60 para o País todo, e menos da metade com saídas internacionais) se tornaram um problema para todos os que precisam dos seus serviços, devido aos atrasos e ao grande número de voos cancelados diariamente.

O país do automóvel

O uso de automóveis aumentou drasticamente nos últimos dois anos, devido a iniciativas do Governo Federal de redução de impostos. Batem-se recordes anuais de vendas de carros. Entre 2008 e 2010, por exemplo, o aumento no licenciamento de veículos foi de 17,4% e, nos últimos 12 meses, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), houve um acréscimo de 7,8% nesse número.

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