Filed under: Jornalismo Científico
O impacto do homem no planeta é tão grande que pesquisadores já discutem se entramos em uma nova Era Geológica.
Em uma piscada de olhos, do ponto de vista geológico, a necessidade do homem por fontes de energia, comida, recursos hídricos e minerais, espaço para se estabelecer e para criar cidades modificou de tal forma a Terra e a vida sobre ela, que, para se ter uma ideia, a soma das consequências de todos os desastres naturais ocorridos no último ano, por exemplo, teve muito menos impacto na superfície do planeta do que aquele causado pelo homem no mesmo período.
A partir dessa constatação, Paul Crutzen – ganhador do prêmio Nobel de Química em 1995 – sugeriu que estaríamos sentindo os efeitos de uma nova Era Geológica: o Antropoceno, ou a “Era do Homem”. A sugestão de Crutzen foi feita em 2000, em conjunto com Eugene Stoermer, oceanógrafo americano, durante uma reunião do Programa Internacional sobre Biosfera e Geosfera, uma comissão internacional que estuda as mudanças climáticas globais.
A fala de Crutzen e Stoermer poderia trazer o homem para o centro de uma discussão que sempre teve como foco algumas forças naturais. Eles propuseram uma “mudança de paradigma”. No mês de maio de 2011, a Sociedade Geológica de Londres, uma das instituições mais tradicionais na área, convidou seus membros para uma conferência científica sobre o tema. Para a Sociedade Geológica, a humanidade não apenas habita o planeta, mas está modificando a maneira como ele funciona.
no site da revista Pré-Univesp >>
Filed under: Jornalismo Científico | Tags: educação, enio rodrigo, Jornalismo Científico
Sancionada pelo então presidente Lula no ano passado, a política deverá entrar em vigor até agosto de 2014, acabando com os “lixões”
Sancionada em 2010 pelo então presidente Lula, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) deverá entrar em vigor até agosto de 2014 e – dependendo do comprometimento dos gestores públicos e da pressão da sociedade – deverá acabar com um dos mais retrógrados modelos para lidar com os resíduos descartados por indústrias e residências: os chamados “lixões”.
Um lixão é, basicamente, um método obtuso e antiquado que consiste em jogar todo e qualquer resíduo gerado em um ambiente urbano ou industrial dentro de um grande buraco, aberto por tratores, em algum lugar nos arredores de uma cidade e – sempre que possível – cobri-lo com terra, na esperança de que a natureza dê conta de fazer a mágica de desaparecer com o que foi descartado.
Pois não é isso que acontece, e lixões abertos – e cuidadosamente recobertos – há muito tempo são a prova de que o método apenas esconde o problema. O deslizamento de um morro no Rio de Janeiro em abril de 2010 deixou claro que os resíduos descartados não somem e são um grande problema para as futuras gerações. Desde o mês passado, outro problema, na capital paulista, também tem origem nos lixões: um complexo de três shopping centers e um supermercado, construídos sobre um antigo local de descarte, na Região Norte da cidade, sofrem risco de explosão por causa dos gases gerados pela decomposição da matéria orgânica abaixo da superfície.
“Os lixões são um tipo de aterro que deverá desaparecer quando a PNRS entrar em vigor definitivamente em 2014. Esses aterros não possuem nenhum tipo de impermeabilização do solo e não têm controle do gás liberado pela decomposição do lixo”, explica Vitor Yuki, biólogo e um dos fundadores de uma empresa de consultoria para soluções em desenvolvimento ambiental.
no site da revista Pré-Univesp >>
-
Leia o texto sem edição aqui >>
Filed under: Jornalismo Científico | Tags: educomunicação, enio rodrigo, Jornalismo Científico, novas tecnologias na educação
Na educação a distância (EaD) a presença e a participação ganham novos significados
A educação a distância (EaD) é um processo de educação baseado nas tecnologias da informação e comunicação (as chamadas TICs), no qual os alunos e professores geralmente não estão fisicamente presentes no mesmo espaço, nem no mesmo horário. O aluno é autônomo para determinar qual o melhor horário para interagir com as informações e discussões propostas. Mas, se a presença física é menos importante, na EaD cresce a necessidade do aluno mostrar suas opiniões: são elas que garantem ao professor que o aluno – em processo de formação – está do outro lado da tecnologia.
“Se no ensino presencial o importante é o aluno estar lá e responder à chamada, na EaD a presença se faz através das inter-relações entre esse aluno e seus professores, colegas – que não estão no mesmo local que ele – e com as informações propostas, que ficam disponíveis naquele receptáculo virtual”, explica Eliane Schlemmer, consultora na área de Educação Digital e Educação a Distância e pesquisadora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em Porto Alegre.
É essa inter-relação, completa a pesquisadora, que garante que aquelas informações vão se transformar em conhecimento. A aprendizagem se dá nesse processo de estabelecimento de relações entre o conhecimento que o sujeito já possui e a nova informação, a fim de atribuir-lhe significado. Mas engana-se quem pensa que um curso no formato EaD é mais fácil do que um presencial. Para toda vantagem, há um custo.
Vantagens e responsabilidades
“As vantagens da EaD são muitas: (…)
no site da revista Pré-Univesp >>
Filed under: Jornalismo Científico | Tags: arte e ciência, Design, enio rodrigo, Jornalismo Científico, jornalista científico, publicidade e ciência
Dar nome a produtos e serviços é hoje uma especialização, um processo que também tem seu nome globalizado – o naming. Envolve equipes multidisciplinares e tem similaridades com a poesia.
Batizar um novo produto não é uma tarefa fácil. Quando dá muito certo, o nome de batismo acaba virando sinônimo do produto – os casos mais famosos são a gillette, o danoninho, o bombril, entre outros. Porém, às vezes, ocorre erro de interpretação por parte dos consumidores, podendo comprometer o investimento em comunicação, principalmente com o segmento onde mais se gasta: a publicidade. O fabricante do furgão multiuso “Besta” que o diga: entrou no mercado praticamente sem concorrentes diretos, mas o nome acabou virando piada, desconforto e impressão negativa em vários tipos de público, em especial religiosos que associam a palavra ao demônio.
“Os gastos com publicidade para reverter a antipatia inicial com o nome, e que enfatizou uma comunicação mais bem humorada, poderia ter sido evitada simplesmente mudando o nome do veículo”, explica a publicitária Irene Carballido, que trabalha com naming, uma área que conheceu durante sua especialização na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), na Espanha.
O naming se insere dentro do que os designers chamam de branding, um processo amplo que ajuda a construir a marca, que vai além da concepção do logotipo. É a criação do chamado “universo da marca”, onde diversas pistas sensoriais – da paleta de cores, iluminação dos ambientes, associações imagéticas até a fonética do nome – comunicam a intenção da empresa, ou seja, mostram o diferencial em relação à concorrência.
“Um produto como o sorvete Häagen Dazs já faz determinado tipo de consumidor ativar alguma conexão no inconsciente, que torna mais fácil a empatia. O nome tem algo de europeu, inicialmente pode soar alemão ou escandinavo (…)
Filed under: Jornalismo Científico | Tags: educação, enio rodrigo, Jornalismo Científico, jornalista científico, neurociências, Unicamp
Com o “efeito Google”, saber formular as perguntas corretamente e onde encontrar as informações se tornou mais importante do que saber as respostas
A memória humana precisa cada vez menos guardar informações. Não porque elas são dispensáveis, mas porque o fluxo e a renovação dessas informações estão mais rápidas, tornando quase impossível a atualização constante. Com isso, as tecnologias que nos cercam se tornam depositórios dessas informações – seja a agenda do celular, ou a enciclopédia on line. O grande desafio não é mais guardar informações: é saber onde acessá-las. A memória humana está deixando de ser um grande receptáculo e se tornando um grande indexador. Saber fazer as perguntas de forma correta é mais importante do que saber as respostas. Esse é o chamado “efeito Google“, descrito recentemente por Betsy Sparrow, pesquisadora do Departamento de Psicologia da Universidade de Colúmbia, nos EUA.
O estudo feito por Sparrow foi publicado na edição de julho de 2011 do periódico Science, uma das revistas científicas mais renomadas mundialmente. De acordo com a investigação, participantes de entrevistas que se viam diante de perguntas difíceis passavam mais tempo pensando em como ter acesso a um computador do que sobre a informação questionada em si. (…)
no site da revista Pré-Univesp >>
Filed under: Jornalismo Científico
O novo profissional, responsável por gerir sua vida profissional, tem que estar preparado para mudanças abruptas
Para uma parte daqueles que estão entrando no mercado de trabalho, o futuro é agora. Uma modificação importante no modo como as empresas pensam começou a tomar contorno em meados da década de 1990 no país e, com o aumento do acesso às tecnologias da informação e comunicação (as chamadas TICs), o mundo do trabalho passou a ficar mais flexível em formas e horários. O contraponto é que essa mesma flexibilização acabou com o modo como se pensavam as carreiras. Ao invés de planos objetivos e determinados no momento em que se saía da faculdade e se adentrava uma empresa, o trabalhador – seja ele um profissional do alto ou baixo escalão – precisa traçar seus próprios caminhos, cada vez mais sujeitos a alterações de rotas.
Historicamente, os modelos de trabalho passaram por três grandes alterações no seu modo produtivo (e diversas outras não menos importantes, mas originárias desses grandes pontos de inflexão). O primeiro foi quando os indivíduos começaram a trocar suas horas de trabalho por uma remuneração fixa, dentro de um processo organizado de produção. Assim sendo, surgiu o trabalhador como conhecemos.
A segunda grande mudança (…)
no site da revista Pré-Univesp >>
Filed under: Jornalismo Científico
Os desafios do transporte de passageiros no Brasil para os grandes eventos
Filas de espera nos aeroportos, congestionamentos nas cidades, estradas esburacadas, hidrovias que jamais foram postas em andamento e uma malha ferroviária menor que a da Inglaterra no final do século XIX. Isso é um pouco do que se vê no Brasil quando o assunto é transportes. E os investimentos para grandes eventos como a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 provavelmente mudarão pouco (ou por pouco tempo) esse cenário, segundo especialistas. Mas não ache que isso é apenas culpa do governo, da falta de planejamento ou das outras pessoas ao seu redor: quem opta por andar de carro – muitas vezes sozinho ao volante – tem um grande peso nessa equação caótica.
Se o transporte no Brasil, seja de passageiros ou de carga, passa por uma crise de infraestrutura, o principal responsável por isso foi o modelo de mobilidade calcado no transporte rodoviário adotado durante as últimas seis décadas e que esteve, desde sempre, fadado a enfrentar uma crise. “O custo do transporte no Brasil é muito mais caro do que em diversos outros países, simplesmente por conta da falta de opções”, critica Gilza Fernandes Blasi, pesquisadora do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A única saída possível para as viagens mais longas é o transporte aeroviário, cujos aeroportos (em torno de 60 para o País todo, e menos da metade com saídas internacionais) se tornaram um problema para todos os que precisam dos seus serviços, devido aos atrasos e ao grande número de voos cancelados diariamente.
O país do automóvel
O uso de automóveis aumentou drasticamente nos últimos dois anos, devido a iniciativas do Governo Federal de redução de impostos. Batem-se recordes anuais de vendas de carros. Entre 2008 e 2010, por exemplo, o aumento no licenciamento de veículos foi de 17,4% e, nos últimos 12 meses, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), houve um acréscimo de 7,8% nesse número.
no site da revista Pré-Univesp >>
Filed under: Jornalismo Científico | Tags: enio rodrigo, Jornalismo Científico, pré-univesp
Astrobiologia é a área da ciência que se vale de conhecimentos multidisciplinares para entender questões que dizem respeito à vida na Terra – e também fora dela
Entender como a vida se formou, se manteve e se multiplicou por milhões de anos e quais as condições mínimas para que isso aconteça; observar como seres mais antigos que as bactérias – as arqueias – podem sobreviver em condições tão pouco confortáveis em nosso próprio planeta; imaginar se existem seres vivos menores que micróbios (os nanóbios); e que a vida pode ocorrer em qualquer lugar do Universo. As situações descritas acima não saíram de nenhuma história da ficção científica, mas são cotidianamente enfrentadas por um grupo de pesquisadores muito específicos: os astrobiólogos. “A Astrobiologia [ou Bioastronomia] é uma área nova e multidisciplinar – ou ainda interdisciplinar – da ciência que utiliza conhecimentos, sobretudo da Astronomia e da Biologia, no sentido de se compreender como a vida se formou na Terra e, por conseguinte, como poderia surgir no Universo”, explica a bióloga e líder do Grupo Brasileiro de Astrobiologia (AstroBio-Brazil) Cláudia Lage, do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O paradigma da Astrobiologia é a origem da vida no contexto de todo o Universo e no qual, portanto, a vida na Terra está inserida. Afinal, as condições que contribuíram para que a vida surgisse na Terra podem se repetir em outros planetas, explica Hélio J. Rocha Pinto, pesquisador do Observatório do Valongo, também na UFRJ. “Queremos saber como o Universo cria as condições para a vida florescer. E não é preciso ir longe para observarmos organismos completamente diferentes do que imaginaríamos ser possível. Na própria Terra encontramos organismos que se reproduzem em condições muito ruins, de altas temperaturas, altas pressões, com pouco ou nenhum oxigênio, etc.”, completa Rocha Pinto.
no site da revista Pré-Univesp >>
Filed under: Jornalismo Científico | Tags: Cosméticos, Cosmecêuticos, enio rodrigo, Higiene Pessoal, Jornalismo Científico, jornalista científico, Química e Beleza
Vários hábitos da vida contemporânea, como os rituais diários de beleza e de higiene, são frutos de muita pesquisa e exemplos de como a química está presente nos aspectos mais cotidianos de nossas vidas.
Quando se fala de química, para boa parte das pessoas, a ideia que vem à cabeça não é algo que tenha conotação positiva. Afinal, ter uma vida saudável é sinônimo de evitar comer alimentos com “muita química” e não morar em locais poluídos (onde os produtos químicos são lançados na atmosfera o tempo todo). Normalmente as pessoas não se lembram que, ao acordar e escovar os dentes, enxaguar a boca, lavar o rosto, tomar um banho e passar um perfume (além de um batom, para as mulheres), a química também está presente nestas situações. O ritual de beleza diário – que envolve a higiene pessoal – é fruto de décadas de pesquisas nessa área. Então nem tanto ao mar nem tanto à terra. Química não é a antítese de natural, nem uma caixa de Pandora, mas uma ciência que se embrenhou pouco a pouco nos pequenos hábitos do cotidiano a ponto de, muitas vezes, nem percebermos que ela está lá.
“Sem os processos e substâncias químicas, o nosso modo de vida moderno não seria possível. Os alimentos se degradariam muito rapidamente – isso se houvesse alimento para toda a população. Seria quase impossível beber algo de maneira prática em qualquer lugar, não haveria transporte para todos, e muitos de nossos hábitos diários não ocorreriam, entre eles esse ritual de beleza e higiene diários”, explica Adriana Vitorino Rossi, professora e pesquisadora do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
no site da revista Pré-Univesp >>
Filed under: Jornalismo Científico | Tags: arte ciência, arte e ciência, educação, enio rodrigo, Jornalismo Científico, jornalista científico, novas tecnologias na educação, Unicamp
O grupo Arte e Ciência no Palco (ACP), especializado em trazer para os palcos do teatro histórias com viés científico, prepara uma dupla homenagem para estrear neste ano. Além de celebrar o Ano da Química (data mundial proposta pela Unesco), vai também trazer as diferentes histórias de mulheres cientistas.
O fio condutor vai ser uma das maiores cientistas da história da química, a polonesa radicada na França Marie Curie (1867-1934). Outra grande personagem, a austríaca Hedy Lamarr (1913-2000) — que alguns podem conhecer pelo sucesso no cinema, mas que também é responsável por um conceito de transmissão de dados que ajudou no desenvolvimento da telefonia de celulares —, também vai estar sob os holofotes. E, além do ponto e contraponto, haverá um terceiro ângulo para a história, o de uma grande cientista brasileira, ainda a ser definida.
“Temos grandes cientistas brasileiras e, como o processo ainda está em desenvolvimento, não fechamos essa terceira personagem. Mas a ideia é falar de injustiças políticas que ocorreram com essas pesquisadoras no Brasil”, diz Carlos Palma, ator, diretor, dramaturgo e um dos fundadores do ACP. O texto do espetáculo, inclusive, é de autoria de Palma e Oswaldo Mendes.
FIO CONDUTOR Marie Curie (nascida Maria Skłodowska) foi escolhida para ser a representação das mulheres cientistas, obstinadas e focadas em seu trabalho. “Marie Curie tinha um talento nato para a ciência. Seus maiores dramas se dão nesse contexto. No núcleo familiar, não houve grandes perturbações, mas dentro do ambiente científico, sim”, justifica Palma.











